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Autor: Alessandra Franchi
~ 16/11/09
O gerente da Anvisa explica que, uma vez que os alimentos orgânicos não recebem qualquer dose de produtos agrotóxicos, eles podem ser considerados mais seguros. Contudo, isso não quer dizer que os produtos convencionais sejam inseguros. “À luz do conhecimento científico atual, a gente pode afirmar que a população pode consumi-los sem riscos.”, diz Meirelles.
Em 2001, a Anvisa implantou o PARA – Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos (link alternativo para obter cópia do estudo) O resultado dos exames das cerca de 4 mil amostras colhidas em supermercados de 12 estados brasileiros, entre 2001 e 2004, mostra que pouco mais da metade delas apresentou resíduos. A maior parte (71,5%), no entanto, estava dentro dos limites aceitáveis. Quanto aos outros 28,5%, ou os resíduos estavam acima desse limite ou o uso da substância encontrada não era autorizado para a cultura em que foi encontrado.
Sobre o efeito dos resíduos na saúde humana, Meirelles explica ser difícil avaliar os efeitos dos resíduos de defensivos encontrados nos alimentos sobre a saúde humana. Segundo explica o gerente da Anivisa, até hoje não foram monitoradas exposições por um longo período de tempo e como o ser humano está exposto a múltiplos fatores. inclusive genéticos, não é possível dizer, por exemplo, que a causa de um tumor foi uma determinada substância encontrada no alimento. As pesquisas disponíveis até aqui se referem apenas à exposição ocupacional, completa.
O risco de contaminação de trabalhadores rurais que aplicam agrotóxicos é uma das apreensões do professor Paulo Stringheta, da Universidade Federal de Viçosa. “As pessoas normalmente se preocupam com quem come e nós nos esquecemos de nos preocupar com quem produz”, adverte Stringheta.
Equipamento de proteção individual (EPIs) foram desenvolvidos para evitar que aplicadores sejam contaminados pelos produtos. Mas, segundo o técnico da Anvisa, não basta usar o EPI. “Isso tem que vir acompanhado de outras práticas de manejo, no momento da aplicação”, alerta Meirelles. Entre os cuidados que precisam ser observados estão o horário, a lavagem diária das vestimentas e a manutenção dos equipamentos de aplicação.
Vivian Chies
Assessoria de Comunicação do CRQ
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
De acordo com a principal certificadora de orgânicos do Brasil, o Instituto Biodinâmico (IBD), o sucesso desses produtos vem da área de alimentos. “Nos últimos tempos, o consumidor vem descobrindo que os alimentos orgânicos fazem bem à sua saúde e são bons para o meio ambiente”, diz a página do instituto na internet.
No entanto, para a nutricionista Silvia Cozzolino, professora da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Conselho Regional de Nutricionistas III Região (SP/MS), do ponto de vista nutricional não há muitas diferenças entre alimentos cultivados de modo orgânico e convencional. “Tanto que dizer ‘coma só orgânicos que você estará bem alimentado’, para mim, não é verdade. Você estará bem alimentado comendo um ou outro”, diz a professora.
A idéia de que alimentos orgânicos são mais saudáveis sustenta-se principalmente na possibilidade de que os produtos da agricultura tradicional podem estar contaminados (ou conter resíduos) pelos defensivos agrícolas, os chamados agrotóxicos. Para o professor emérito da Universidade Federal de Lavras, Alfredo Scheid Lopes, “seguindo-se as instruções de uso e, acima de tudo, o tempo de carência entre a aplicação e a colheita, a possibilidade da presença de resíduos em alimentos é muito mais exceção do que regra”.
O gerente geral de toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Luiz Cláudio Meirelles, explica que todo produto fitossanitário (destinado ao controle de pragas agrícolas) registrado tem um limite máximo de resíduos (LMR) aceitáveis para cada cultura em que pode ser aplicado. Assim, o LMR de um mesmo defensivo pode ser diferente para a maçã e a laranja, por exemplo. Além disso, a soma dos limites de todas as culturas em que o produto tem autorização da Anvisa para ser aplicado não pode ultrapassar a um outro índice, chamado Ingesta Diária Aceitável (IDA).
Ainda de acordo com o técnico da Anvisa, os limites são estabelecidos com base em estudos de longo prazo sobre câncer, alterações hormonais e embrionárias, entre outros possíveis males. “Esse é um procedimento adotado internacionalmente, em que você trabalha com metodologias de investigação de resíduos de alimentos e com valores de IDA, de modo que, se você ingerisse aquilo durante sua vida inteira, não haveria problemas à sua saúde”, explica Meirelles. Ele ressalva, no entanto, que os LMRs “são valores teóricos porque, muitas vezes, à medida que a ciência avança, descobre-se que é preciso baixar aquele limite ou mesmo colocá-lo a níveis praticamente zero”.
Vivian Chies
Assessoria de Comunicação do CRQ
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
~ 29/10/09
Entre os metais e os semimetais que causam graves distúrbios ao organismo quando absorvidos, podem ser citados o arsênio, o chumbo, o mercúrio e o cádmio. O arsênio pode ser absorvido pelo organismo através do sistema gastrointestinal, causando graves doenças cardiovasculares, renais, intestinais e até a morte. De forma mais abrangente e, infelizmente, tão prejudiciais à saúde quanto o arsênio, estão os chamados metais pesados. O chumbo, por exemplo, pode causar intoxicação basicamente através da absorção pelo sistema gastrointestinal e pelas vias respiratórias. Provoca distúrbios neurológicos (dores de cabeça, convulsões, delírios e tremores musculares), gastrointestinais (vômitos e náuseas) e renais. Elevadas concentrações de chumbo podem levar à morte.
O mercúrio causa intoxicações nas suas três formas: o mercúrio metálico, os sais de mercúrio e os compostos organomercúricos. Assim como no caso do chumbo, suas principais vias de absorção são o sistema gastrointestinal e o sistema respiratório. Quando absorvido, o mercúrio pode causar danos neurológicos e respiratórios, disfunções renais e gastrointestinais, distúrbios visuais, perda de audição, tremores musculares, paralisia cerebral e até a morte. Como o mercúrio é utilizado na extração do ouro, muitos trabalhadores de garimpos são intoxicados por este elemento químico. O cádmio, bastante citado em noticiários por fazer parte da composição de baterias de telefones celulares, pode causar intoxicação aguda ao corpo humano, sendo que seus efeitos mais marcantes são os distúrbios gastrointestinais (dores abdominais, náuseas e vômitos) e paralisia renal.
O tratamento para intoxicações causadas por chumbo, mercúrio e cádmio está basicamente centrado na utilização de antídotos, que são substâncias químicas de diferentes classes. Algumas destas substâncias recebem o nome de agentes complexantes ou quelantes e podem ser naturais ou sintéticas. Quando chegam ao organismo, esses antídotos se ligam aos íons metálicos que causam a intoxicação e formam compostos de elevada estabilidade que depois são eliminados, em geral pela urina. Alguns exemplos de complexantes são a penicilamina, o EDTA, o dimercaprol e o ácido 2,3-dimercaptosuccínico (DMSA).
Apesar de existirem antídotos, é de vital importância a rígida atuação dos profissionais ligados à saúde, sobretudo em ambientes de trabalho, para evitar que trabalhadores com pouca instrução e conhecimento venham a ser contaminados por metais como chumbo, mercúrio e cádmio.
Antonio Carlos Massabni
Instituto de Química – Araraquara – UNESP
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
Os íons metálicos são necessários para muitas das funções vitais do organismo humano. A ausência de alguns deles pode ocasionar sérias doenças, tais como: anemia, por deficiência de ferro; retardamento do crescimento de crianças, por falta de zinco; e má formação óssea em crianças, por falta de cálcio. Alguns metais e semi-metais, por sua vez, quando presentes no organismo humano, podem causar intoxicações. São exemplos clássicos: o arsênio, o chumbo, o cádmio e o mercúrio. Neste artigo, são apresentadas algumas das funções desempenhadas por metais essenciais para o corpo humano, assim como os principais alimentos necessários em nossa dieta alimentar, que contém estes metais.
Grande parte dos elementos químicos que compõem a tabela periódica está presente no organismo humano. Tais elementos aparecem de forma combinada nas mais variadas substâncias, desempenhando diferentes funções. É interessante destacar que tais substâncias estão em contínuo estado de rotatividade, sendo formadas e consumidas a velocidades que variam de frações de segundos até anos. Um homem adulto, de 70kg, apresenta em seu organismo cerca de 7kg de hidrogênio, 12,6kg de carbono, 2,1kg de nitrogênio, 45,5kg de oxigênio (este é o elemento químico mais abundante no nosso corpo), 700g de fósforo, 175g de enxofre, 105g de sódio, 140g de potássio, 1,0kg de cálcio, 35g de magnésio, 2,3g de zinco e 4,2g de ferro.
Tratando-se particularmente dos metais e de suas funções no corpo humano, destaca-se o cálcio, presente nas estruturas ósseas e no esmalte dos dentes, na forma de hidroxiapatita, Ca5(PO4)3(OH). O sódio e o potássio contribuem para o balanço osmótico em membranas celulares, e o ferro está presente na estrutura de uma molécula conhecida como hemoglobina, responsável pela absorção e transporte de oxigênio no sangue.
É importante destacar, ainda, vários outros metais, sem os quais a vida humana não existiria. Entre eles estão o crômio, o manganês, o cobalto, o níquel, o cobre e o molibdênio, envolvidos em processos metabólicos que regulam a produção de energia e o bom funcionamento do corpo humano.
A falta ou o excesso de metais ou de quaisquer outros elementos químicos pode ser prejudicial à saúde. Ou seja, um desequilíbrio na concentração de alguns destes elementos pode levar a pessoa à morte. Como manter, então, o equilíbrio e o bom funcionamento do nosso corpo sem acúmulo ou escassez dos elementos essenciais? A resposta é, evidentemente, muito simples, e por muitos já conhecida: basicamente, com uma alimentação balanceada. Os principais metais presentes no corpo humano e algumas de suas fontes alimentícias são:
| • cálcio: leite e queijos; | • cobalto: ervilhas e feijão; |
| • sódio: carnes, manteiga e peixes; | • zinco: fígado, gema de ovo, queijos e carnes; |
| • potássio: frutas secas, nozes, carnes, vegetais e peixes; | • manganês: cereais, nozes, café e farinha; |
| • magnésio: cereais e verduras; | • crômio: carne de boi e fígado; |
| • ferro: fígado, carnes, ovos, cereais e frutas; | • molibdênio: trigo, cevada, aveia e fígado bovino; |
| • cobre: fígado, nozes e frutos do mar; | • níquel: espinafre e nozes. |
Antonio Carlos Massabni
Instituto de Química – Araraquara – UNESP
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
~ 27/10/09
Muitos estudos foram realizados com a aspirina nos últimos 30 anos, envolvendo grupos de pessoas que pertenciam a três categorias: pessoas com doenças cardiovasculares ou cerebrovasculares, pessoas em fase aguda de infarto e pessoas sadias. Nessas pesquisas, o uso da aspirina se mostrou de enorme importância na prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares. Houve uma sensível diminuição no número de mortes e de infartos nos grupos considerados de risco.
Como a aspirina é um anticoagulante, há muitos trabalhos de pesquisa demonstrando que ela reduz o risco de trombose e de derrame cerebral. Como se sabe, a forma mais comum deste último ocorre quando os vasos sangüíneos que irrigam o cérebro com oxigênio e nutrientes são bloqueados por coágulos.
Alguns trabalhos mais recentes tentam comprovar que a aspirina inibe o crescimento de vários tipos de tumores: endometrial, esofágico, gástrico, pulmonar e colorretal. Há também perspectivas do uso de aspirina para prevenção e tratamento de doenças que atacam o cérebro como é o caso do mal de Alzheimer e de outras enfermidades degenerativas.
A FDA (Food and Drug Administration) dos EUA aprovou, em outubro de 1998, novas orientações para o uso da aspirina em pacientes com problemas reumáticos, cardiovasculares e cerebrovasculares. Ela é recomendada, em doses adequadas, para tratamento de homens e mulheres com isquemia cerebral, derrame cerebral, angina, infarto agudo de miocárdio e doenças reumáticas e vasculares em geral.
É importante observar, no entanto, que a aspirina pode gerar efeitos colaterais indesejáveis. Muitas pessoas não toleram a droga mesmo em baixas doses. A aspirina pode provocar dores estomacais, úlceras gástricas, diarréias, náuseas, sangramentos e hemorragias internas. Seu uso não é recomendado para quem possui problemas gástricos, renais ou biliares. Deve-se evitar também o uso indiscriminado, sem a devida prescrição médica.
Antonio Carlos Massabni
Instituto de Química – Araraquara – UNESP
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
A aspirina é uma substância sólida conhecida há mais de 100 anos. Seu nome químico é ácido acetilsalicílico (AAS) e, provavelmente, é o medicamento mais conhecido e mais vendido no mundo. Milhões de pessoas já se utilizaram da aspirina para diminuir dores e baixar a febre. Acontece que, nos últimos trinta anos, muitas pesquisas foram realizadas com a aspirina, tendo sido encontrados novos usos para esta droga centenária.
A história da aspirina começou há cerca de um século, quando o químico alemão Felix Hoffman pesquisava um medicamento para ser usado no tratamento da artrite, doença de seu pai. O objetivo dele era encontrar uma droga para substituir o salicilato de sódio, medicamento usado naquela época, mas que exigia grandes doses diárias e provocava irritação e fortes dores estomacais nos pacientes. Hoffman conseguiu preparar o ácido acetilsalicílico, que veio depois a ser chamado de aspirina. A nova droga tinha as mesmas propriedades do salicilato de sódio, conseguia melhorar a qualidade de vida dos portadores de artrite e gerava menos efeitos colaterais. Hoffman trabalhava na Bayer da Alemanha e seus superiores não aceitaram de imediato substituir o salicilato de sódio pela aspirina. Eles achavam inclusive que o novo medicamento não teria futuro.
Mas não foi o que aconteceu. No caso da artrite, a aspirina tornou-se rapidamente o medicamento mais usado no tratamento dessa doença, que ataca as juntas e o tecido conectivo do corpo humano, e se apresenta sob mais de 100 diferentes formas. A aspirina é o medicamento mais barato para combater este mal, inclusive em suas formas mais comuns: a osteoartrite e a artrite reumatóide.
Nos anos 1970, o cientista britânico John Vane observou que alguns tipos de ferimento eram acompanhados da liberação em nosso corpo de substâncias chamadas de prostaglandinas. Ele também percebeu que dois grupos delas provocavam febre e vermelhidão no local do ferimento (sinais de inflamação). Vane e colaboradores descobriram que a aspirina bloqueava a síntese de prostaglandinas, evitando a formação de plaquetas, que depois se transformavam em coágulos de sangue no corpo humano. Esses coágulos eram responsáveis pelo bloqueio do fluxo de sangue para o coração, resultando no ataque cardíaco. Assim, a aspirina evita a formação de coágulos e, portanto, pode impedir o infarto do miocárdio. A descoberta foi sensacional, uma vez que só nos EUA mais de um milhão de pessoas sofrem ataques cardíacos por ano e quase 50% delas acabam morrendo.
Antonio Carlos Massabni
Instituto de Química – Araraquara – UNESP
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
~ 26/10/09
Zinco, cádmio e mercúrio são metais que pertencem ao mesmo grupo da tabela periódica dos elementos químicos. Estes três metais e muitos de seus compostos são de grande importância industrial e para a saúde humana. Em relação à saúde, se o zinco se constitui num dos metais de maior relevância biológica, o cádmio e o mercúrio estão entre os elementos químicos mais tóxicos para os organismos vivos. O zinco é componente básico de pilhas e baterias. O mercúrio é parte fundamental de amálgamas dentários, e o cádmio, combinado com o níquel, é utilizado em baterias de telefones celulares. O níquel é extremamente tóxico e se acumula no corpo humano, principalmente nos rins e no fígado. Ele pode comprometer o funcionamento desses órgãos, se ingerido por longos períodos, mesmo em pequenas quantidades.
Os efeitos tóxicos do mercúrio são conhecidos há muito tempo. Seu vapor pode provocar dores de cabeça, tremores, inflamação da bexiga e da vesícula e perda da memória. Mais tóxicos do que o mercúrio metálico e seus sais inorgânicos são os compostos chamados de organo-mercúricos, que possuem o metal combinado com um radical orgânico, como é o caso do metil-mercúrio.
O zinco foi identificado há mais de 120 anos como elemento químico essencial para o crescimento de microorganismos, como os fungos e as bactérias. Já em 1935, percebeu-se que ele era necessário para o crescimento de ratos e, em 1955, demonstrou-se que a sua falta podia provocar graves doenças em porcos. Há um fato interessante, descrito na literatura, que ocorreu em 1958 no Irã. Um rapaz de 21 anos, que parecia ter 10, estava internado num hospital com sérios problemas de anemia, letargia mental e geofagia (hábito de comer terra). Ele se alimentava praticamente só de pão feito com farinha de trigo e “comia terra”.
Casos semelhantes a esse foram observados no mesmo local. A anemia se devia à falta de ferro, o que foi corrigido com o tratamento adequado, pois o ferro existente na terra não é aproveitado pelo corpo humano. Os outros problemas do rapaz foram atribuídos à insuficiência de zinco, principalmente. Mais casos como esse ocorreram nessa época no Egito e em outros países. Em todos eles, os pacientes apresentaram melhoras no estado físico, com alimentação adequada, enriquecida com suplementos de zinco. Eles cresceram em altura, tiveram aumento de peso, órgãos como fígado, baço e rins funcionaram melhor, e os órgãos genitais atingiram seu tamanho normal. Assim, foi possível concluir que a falta de zinco no sangue poderia retardar o crescimento, atrofiar os testículos, além de causar escamação e rugosidade da pele.
Estudos realizados em 1972 demonstraram também que suplementos de zinco incluídos na alimentação de indivíduos na faixa dos 20 anos de idade provocaram um melhor desempenho sexual em relação àqueles que se alimentavam só com uma dieta balanceada. Muito estudos vêm sendo realizados com o elemento nos últimos 30 anos e todos eles demonstraram a sua importância para a saúde humana. As principais conclusões desses trabalhos são:
- Zinco é um metal essencial para o funcionamento do corpo humano, estimulando a atividade de aproximadamente cem enzimas (substâncias que promovem reações bioquímicas do nosso corpo);
- É um metal importante para o funcionamento do sistema imune e para a cicatrização de cortes e feridas;
- O zinco estimula o paladar e o sabor;
- É fundamental para o crescimento e o desenvolvimento de crianças e adolescentes;
- As principais fontes de zinco são: carnes (vermelha e de frango), feijão, frutos do mar, nozes, grãos e cereais;
- A falta de zinco pode provocar retardamento mental, perda de cabelo, diarréia, retardamento da atividade sexual, impotência, lesões nos olhos e na pele e perda de apetite.
Antonio Carlos Massabni
Instituto de Química – UNESP – Araraquara
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
~ 23/10/09
Uma rota alternativa para obtenção do ácido adípico (esquema II) foi proposta pelo grupo de Ryoji Noyori, da Universidade de Nagoya (Japão), em 1998, visando atender a alguns princípios da Química Verde. A síntese alternativa, um método direto e “limpo”, apresenta vantagens tais como: (1) menor gasto de energia com o uso de temperatura moderada; (2) redução do tempo total de reação – uma só etapa; (3) economia de átomos e maior rendimento; (4) uso de pequena quantidade de catalisador e de um agente oxidante menos agressivo; (5) geração de água (subproduto atóxico). Apesar do peróxido de hidrogênio (um líquido viscoso com densidade maior que a da água) ser um oxidante adequado aos princípios da Química Verde, uma vez que seu produto de reação é a água, seu preço no mercado ainda é alto, o que inviabiliza, no momento, a implantação do processo em escala industrial.
Os estudos envolvendo a síntese do ácido adípico não cessam. Há relatos de trabalhos tentando utilizar, como oxidantes, o oxigênio molecular ou o ar (reagente de baixo custo), catalisadores heterogêneos e fontes renováveis de matéria-prima (como o açúcar).
Os princípios da Química Verde pautam-se no bom senso, de modo que vários governos, empresas, pesquisadores e professores já estão mudando o foco e usando lentes verdes em suas atividades e projetos. Mas para que os objetivos sejam atingidos não bastam o conhecimento químico básico e o trabalho de profissionais competentes e criativos. É preciso que haja recursos financeiros para atividades de pesquisa científica e inovação tecnológica, além de incentivos governamentais para empresas, legislação e fiscalização adequadas, educação ambiental e outros requisitos. É possível que, em um futuro próximo, se possa usar uma jaqueta de náilon tecida com fibras oriundas do processo verde.
Os textos e sites sugeridos a seguir tratam mais detalhadamente da Química Verde e abordam casos interessantes de mudanças que vêm ocorrendo em indústrias e universidades que se propuseram a “esverdear” suas atividades:
1. M. Lancaster, “Green Chemistry: an introductory text”, Royal Society of Chemistry, 2002.
2. K. Sato, M. Aoki, R. Noyori, A “Green” Route to Adipic Acid: Direct Oxidation of Cyclohexenes with 30 Percent Hydrogen Peroxide, Science, 281 (1998) 1646.
3. Y. Deng, Z. Ma, K. Wang, J. Chen, Clean synthesis of adipic acid by direct oxidation of cyclohexene with H2O2 over peroxytungstate–organic complex catalysts, Green Chemistry, (1999) 275.
4. http://www.ufpel.tche.br/iqg/wwverde
5. http//www.acs.org
Vera R. Leopoldo Constantino
Denise de Oliveira Silva
Instituto de Química – USP
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
Cada profissional tem uma maneira própria de olhar para um determinado tema. Ao “olharem” para a água, os químicos focalizam as suas propriedades como solvente e reagente; os biólogos, por sua vez, se interessam pela contaminação microbiológica, enquanto os geólogos estudam as bacias hidrográficas e os ambientalistas se preocupam com os níveis de poluentes nela presentes. Também os políticos têm sua forma de “olhar” para a água. Discute-se, atualmente, a viabilidade da transposição do Rio São Francisco, num projeto que exemplifica uma preocupação de todo governante, seja municipal ou estadual: garantir o abastecimento de água para toda a população.
Há aproximadamente dez anos, profissionais da Química que atuam na indústria, na pesquisa e também na área de ensino começaram a ter uma visão diferente sobre produtos e processos químicos, de modo a contemplar aspectos que levassem em conta a saúde humana e o meio ambiente. Na verdade, os profissionais da indústria química têm tido tal preocupação há muito mais tempo.
Essa nova maneira de olhar a Química foi denominada “Química Verde” e tem como base 12 princípios como, por exemplo, aqueles que propõem o emprego de processos químicos que requeiram condições brandas de operação (tais como temperaturas e pressões moderadas), com a finalidade de reduzir custos com energia e riscos de acidentes.
Tendo em vista o quadro de diminuição das reservas globais de petróleo, gás natural e carvão, bem como o efeito nocivo dos gases provenientes dessas fontes para o meio ambiente (efeito estufa e chuva ácida), a Química Verde propõe a busca por fontes renováveis, tanto para gerar energia quanto para servir de matéria-prima industrial. Neste último caso, basta lembrar que, hoje, a maioria de produtos, dos plásticos aos fármacos de uso comum, é obtida a partir de derivados do petróleo, uma fonte fóssil não renovável.
Outros aspectos importantes dessa nova visão para realizar processos químicos são: (1) a substituição de solventes tóxicos por outros, como o dióxido de carbono ou a água, em condições supercríticas; (2) o desenvolvimento de métodos analíticos sensíveis e seletivos para o monitoramento de substâncias nos processos de produção, nos organismos vivos e no meio ambiente; (3) os produtos oriundos dos processos devem ser projetados para apresentar alto desempenho e serem recicláveis ou de fácil degradação, a fim de minimizar problemas de descarte e acúmulo de lixo.
Um dos verbos mais usados atualmente, em qualquer atividade, é “economizar”. No caso de uma reação química, é possível introduzir modificações que visam a economizar energia e/ou átomos e aumentar o rendimento e a seletividade de um processo. Para ilustrar alguns desses aspectos no contexto da Química Verde, a síntese do ácido adípico é comentada a seguir. Mais de 2,2 milhões de toneladas dessa substância são produzidos anualmente no mundo devido à sua importância como reagente para a produção de poliuretanas (usadas na fabricação de adesivos, tintas e borrachas), lubrificantes, plastificantes e, principalmente, náilon-6, uma fibra sintética de grande importância no nosso dia-a-dia (usada em carpetes, automóveis, roupas e tapeçaria).
Analisando a síntese convencional do ácido adípico (esquema I), empregada atualmente em vários processos industriais, pode-se identificar os sérios problemas responsáveis pelo “impacto ambiental do náilon”: (1) o reagente ciclohexano é obtido através da hidrogenação (adição de hidrogênio) do benzeno, que é um derivado do petróleo altamente tóxico; (2) o agente oxidante, ácido nítrico concentrado, é corrosivo; (3) o processo envolve altas temperaturas, várias etapas de síntese, uso de diversos catalisadores (substâncias que aceleram uma reação química) e de substâncias tóxicas (como sais de crômio); (4) no final da reação, há emissão de gases poluentes, que causam destruição da camada de ozônio (N2O) e o efeito estufa (CO2 e N2O).
Vera R. Leopoldo Constantino
Denise de Oliveira Silva
Instituto de Química – USP
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
~ 22/10/09
Em 1998, pouco mais de cem anos após a morte do cientista, o prêmio Nobel foi dado a três pesquisadores que trabalharam nos mecanismos de ação de moléculas mensageiras como o NO. Eles explicaram como um produto químico explosivo pode também aliviar a dor causada por uma doença cardiovascular, como a angina. Os três pesquisadores dos EUA que receberam o prêmio Nobel foram: Robert Furchgott, Louis Ignarro e Ferid Murad. É importante registrar que um dos pioneiros da pesquisa com NO, Salvador Moncada, também foi indicado para receber o Nobel. Mas, como o prêmio só pode ser dado a três pesquisadores, no máximo, ele foi excluído. Conhecendo o mecanismo de atuação da nitroglicerina, os cientistas passaram a pensar em novas drogas menos perigosas para o tratamento da angina.
Uma outra surpresa relacionada ao NO foi a descoberta de John Craithwaite, de Liverpool (Inglaterra). Estudando o cérebro humano, ele observou que uma molécula-mensageira, um neurotransmissor, tinha exatamente as mesmas características do NO produzido pelas células epiteliais. Sob estímulo, as células nervosas do cérebro liberam, então, o NO, momentaneamente. Acredita-se que ele seja responsável pela memória e pelo conhecimento armazenado no cérebro humano. O esclarecimento do seu papel no cérebro foi considerado uma das mais sensacionais descobertas da Medicina. Não é sem razão que o NO foi considerado a “molécula do ano”, em 1992.
O acontecimento mais instigante mesmo, relativo ao NO, foi a descoberta do Viagra, que é o nome comercial do sildenafil citrato. A droga, que vem sendo usada no tratamento da impotência sexual masculina, consegue dilatar os vasos sanguíneos, o que provoca a ereção.
Em março de 1998, a FDA (Food and Drug Administration) aprovou o uso do Viagra para tratamento da impotência nos EUA, onde existem mais de 30 milhões de homens com algum tipo de disfunção erétil. Após a descoberta das excitantes funções do óxido nítrico, inúmeros artigos surgiram na literatura científica internacional. São muitos os sites que tratam dessa fantástica molécula.
Antonio Carlos Massabni
Instituto de Química – Araraquara – UNESP
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)

