Publicado por: Alessandra Franchi

~ 16/11/09

organicoDe acordo com a principal certificadora de orgânicos do Brasil, o Instituto Biodinâmico (IBD), o sucesso desses produtos vem da área de alimentos. “Nos últimos tempos, o consumidor vem descobrindo que os alimentos orgânicos fazem bem à sua saúde e são bons para o meio ambiente”, diz a página do instituto na internet.

No entanto, para a nutricionista Silvia Cozzolino, professora da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Conselho Regional de Nutricionistas III Região (SP/MS), do ponto de vista nutricional não há muitas diferenças entre alimentos cultivados de modo orgânico e convencional. “Tanto que dizer ‘coma só orgânicos que você estará bem alimentado’, para mim, não é verdade. Você estará bem alimentado comendo um ou outro”, diz a professora.

A idéia de que alimentos orgânicos são mais saudáveis sustenta-se principalmente na possibilidade de que os produtos da agricultura tradicional podem estar contaminados (ou conter resíduos) pelos defensivos agrícolas, os chamados agrotóxicos. Para o professor emérito da Universidade Federal de Lavras, Alfredo Scheid Lopes, “seguindo-se as instruções de uso e, acima de tudo, o tempo de carência entre a aplicação e a colheita, a possibilidade da presença de resíduos em alimentos é muito mais exceção do que regra”.

O gerente geral de toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Luiz Cláudio Meirelles, explica que todo produto fitossanitário (destinado ao controle de pragas agrícolas) registrado tem um limite máximo de resíduos (LMR) aceitáveis para cada cultura em que pode ser aplicado. Assim, o LMR de um mesmo defensivo pode ser diferente para a maçã e a laranja, por exemplo. Além disso, a soma dos limites de todas as culturas em que o produto tem autorização da Anvisa para ser aplicado não pode ultrapassar a um outro índice, chamado Ingesta Diária Aceitável (IDA).

Ainda de acordo com o técnico da Anvisa, os limites são estabelecidos com base em estudos de longo prazo sobre câncer, alterações hormonais e embrionárias, entre outros possíveis males. “Esse é um procedimento adotado internacionalmente, em que você trabalha com metodologias de investigação de resíduos de alimentos e com valores de IDA, de modo que, se você ingerisse aquilo durante sua vida inteira, não haveria problemas à sua saúde”, explica Meirelles. Ele ressalva, no entanto, que os LMRs “são valores teóricos porque, muitas vezes, à medida que a ciência avança, descobre-se que é preciso baixar aquele limite ou mesmo colocá-lo a níveis praticamente zero”.

Vivian Chies
Assessoria de Comunicação do CRQ

Quimica Viva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)

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