Publicado por: Alessandra Franchi

~ 29/10/09

Entre os metais e os semimetais que causam graves distúrbios ao organismo quando absorvidos, podem ser citados o arsênio, o chumbo, o mercúrio e o cádmio. O arsênio pode ser absorvido pelo organismo através do sistema gastrointestinal, causando graves doenças cardiovasculares, renais, intestinais e até a morte. De forma mais abrangente e, infelizmente, tão prejudiciais à saúde quanto o arsênio, estão os chamados metais pesados. O chumbo, por exemplo, pode causar intoxicação basicamente através da absorção pelo sistema gastrointestinal e pelas vias respiratórias. Provoca distúrbios neurológicos (dores de cabeça, convulsões, delírios e tremores musculares), gastrointestinais (vômitos e náuseas) e renais. Elevadas concentrações de chumbo podem levar à morte.

O mercúrio causa intoxicações nas suas três formas: o mercúrio metálico, os sais de mercúrio e os compostos organomercúricos. Assim como no caso do chumbo, suas principais vias de absorção são o sistema gastrointestinal e o sistema respiratório. Quando absorvido, o mercúrio pode causar danos neurológicos e respiratórios, disfunções renais e gastrointestinais, distúrbios visuais, perda de audição, tremores musculares, paralisia cerebral e até a morte. Como o mercúrio é utilizado na extração do ouro, muitos trabalhadores de garimpos são intoxicados por este elemento químico. O cádmio, bastante citado em noticiários por fazer parte da composição de baterias de telefones celulares, pode causar intoxicação aguda ao corpo humano, sendo que seus efeitos mais marcantes são os distúrbios gastrointestinais (dores abdominais, náuseas e vômitos) e paralisia renal.

O tratamento para intoxicações causadas por chumbo, mercúrio e cádmio está basicamente centrado na utilização de antídotos, que são substâncias químicas de diferentes classes. Algumas destas substâncias recebem o nome de agentes complexantes ou quelantes e podem ser naturais ou sintéticas. Quando chegam ao organismo, esses antídotos se ligam aos íons metálicos que causam a intoxicação e formam compostos de elevada estabilidade que depois são eliminados, em geral pela urina. Alguns exemplos de complexantes são a penicilamina, o EDTA, o dimercaprol e o ácido 2,3-dimercaptosuccínico (DMSA).

Apesar de existirem antídotos, é de vital importância a rígida atuação dos profissionais ligados à saúde, sobretudo em ambientes de trabalho, para evitar que trabalhadores com pouca instrução e conhecimento venham a ser contaminados por metais como chumbo, mercúrio e cádmio.


Antonio Carlos Massabni
Instituto de Química – Araraquara – UNESP

Quimica Viva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)

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