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Autor: Alessandra Franchi
~ 29/10/09
Entre os metais e os semimetais que causam graves distúrbios ao organismo quando absorvidos, podem ser citados o arsênio, o chumbo, o mercúrio e o cádmio. O arsênio pode ser absorvido pelo organismo através do sistema gastrointestinal, causando graves doenças cardiovasculares, renais, intestinais e até a morte. De forma mais abrangente e, infelizmente, tão prejudiciais à saúde quanto o arsênio, estão os chamados metais pesados. O chumbo, por exemplo, pode causar intoxicação basicamente através da absorção pelo sistema gastrointestinal e pelas vias respiratórias. Provoca distúrbios neurológicos (dores de cabeça, convulsões, delírios e tremores musculares), gastrointestinais (vômitos e náuseas) e renais. Elevadas concentrações de chumbo podem levar à morte.
O mercúrio causa intoxicações nas suas três formas: o mercúrio metálico, os sais de mercúrio e os compostos organomercúricos. Assim como no caso do chumbo, suas principais vias de absorção são o sistema gastrointestinal e o sistema respiratório. Quando absorvido, o mercúrio pode causar danos neurológicos e respiratórios, disfunções renais e gastrointestinais, distúrbios visuais, perda de audição, tremores musculares, paralisia cerebral e até a morte. Como o mercúrio é utilizado na extração do ouro, muitos trabalhadores de garimpos são intoxicados por este elemento químico. O cádmio, bastante citado em noticiários por fazer parte da composição de baterias de telefones celulares, pode causar intoxicação aguda ao corpo humano, sendo que seus efeitos mais marcantes são os distúrbios gastrointestinais (dores abdominais, náuseas e vômitos) e paralisia renal.
O tratamento para intoxicações causadas por chumbo, mercúrio e cádmio está basicamente centrado na utilização de antídotos, que são substâncias químicas de diferentes classes. Algumas destas substâncias recebem o nome de agentes complexantes ou quelantes e podem ser naturais ou sintéticas. Quando chegam ao organismo, esses antídotos se ligam aos íons metálicos que causam a intoxicação e formam compostos de elevada estabilidade que depois são eliminados, em geral pela urina. Alguns exemplos de complexantes são a penicilamina, o EDTA, o dimercaprol e o ácido 2,3-dimercaptosuccínico (DMSA).
Apesar de existirem antídotos, é de vital importância a rígida atuação dos profissionais ligados à saúde, sobretudo em ambientes de trabalho, para evitar que trabalhadores com pouca instrução e conhecimento venham a ser contaminados por metais como chumbo, mercúrio e cádmio.
Antonio Carlos Massabni
Instituto de Química – Araraquara – UNESP
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
Os íons metálicos são necessários para muitas das funções vitais do organismo humano. A ausência de alguns deles pode ocasionar sérias doenças, tais como: anemia, por deficiência de ferro; retardamento do crescimento de crianças, por falta de zinco; e má formação óssea em crianças, por falta de cálcio. Alguns metais e semi-metais, por sua vez, quando presentes no organismo humano, podem causar intoxicações. São exemplos clássicos: o arsênio, o chumbo, o cádmio e o mercúrio. Neste artigo, são apresentadas algumas das funções desempenhadas por metais essenciais para o corpo humano, assim como os principais alimentos necessários em nossa dieta alimentar, que contém estes metais.
Grande parte dos elementos químicos que compõem a tabela periódica está presente no organismo humano. Tais elementos aparecem de forma combinada nas mais variadas substâncias, desempenhando diferentes funções. É interessante destacar que tais substâncias estão em contínuo estado de rotatividade, sendo formadas e consumidas a velocidades que variam de frações de segundos até anos. Um homem adulto, de 70kg, apresenta em seu organismo cerca de 7kg de hidrogênio, 12,6kg de carbono, 2,1kg de nitrogênio, 45,5kg de oxigênio (este é o elemento químico mais abundante no nosso corpo), 700g de fósforo, 175g de enxofre, 105g de sódio, 140g de potássio, 1,0kg de cálcio, 35g de magnésio, 2,3g de zinco e 4,2g de ferro.
Tratando-se particularmente dos metais e de suas funções no corpo humano, destaca-se o cálcio, presente nas estruturas ósseas e no esmalte dos dentes, na forma de hidroxiapatita, Ca5(PO4)3(OH). O sódio e o potássio contribuem para o balanço osmótico em membranas celulares, e o ferro está presente na estrutura de uma molécula conhecida como hemoglobina, responsável pela absorção e transporte de oxigênio no sangue.
É importante destacar, ainda, vários outros metais, sem os quais a vida humana não existiria. Entre eles estão o crômio, o manganês, o cobalto, o níquel, o cobre e o molibdênio, envolvidos em processos metabólicos que regulam a produção de energia e o bom funcionamento do corpo humano.
A falta ou o excesso de metais ou de quaisquer outros elementos químicos pode ser prejudicial à saúde. Ou seja, um desequilíbrio na concentração de alguns destes elementos pode levar a pessoa à morte. Como manter, então, o equilíbrio e o bom funcionamento do nosso corpo sem acúmulo ou escassez dos elementos essenciais? A resposta é, evidentemente, muito simples, e por muitos já conhecida: basicamente, com uma alimentação balanceada. Os principais metais presentes no corpo humano e algumas de suas fontes alimentícias são:
| • cálcio: leite e queijos; | • cobalto: ervilhas e feijão; |
| • sódio: carnes, manteiga e peixes; | • zinco: fígado, gema de ovo, queijos e carnes; |
| • potássio: frutas secas, nozes, carnes, vegetais e peixes; | • manganês: cereais, nozes, café e farinha; |
| • magnésio: cereais e verduras; | • crômio: carne de boi e fígado; |
| • ferro: fígado, carnes, ovos, cereais e frutas; | • molibdênio: trigo, cevada, aveia e fígado bovino; |
| • cobre: fígado, nozes e frutos do mar; | • níquel: espinafre e nozes. |
Antonio Carlos Massabni
Instituto de Química – Araraquara – UNESP
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
~ 27/10/09
Muitos estudos foram realizados com a aspirina nos últimos 30 anos, envolvendo grupos de pessoas que pertenciam a três categorias: pessoas com doenças cardiovasculares ou cerebrovasculares, pessoas em fase aguda de infarto e pessoas sadias. Nessas pesquisas, o uso da aspirina se mostrou de enorme importância na prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares. Houve uma sensível diminuição no número de mortes e de infartos nos grupos considerados de risco.
Como a aspirina é um anticoagulante, há muitos trabalhos de pesquisa demonstrando que ela reduz o risco de trombose e de derrame cerebral. Como se sabe, a forma mais comum deste último ocorre quando os vasos sangüíneos que irrigam o cérebro com oxigênio e nutrientes são bloqueados por coágulos.
Alguns trabalhos mais recentes tentam comprovar que a aspirina inibe o crescimento de vários tipos de tumores: endometrial, esofágico, gástrico, pulmonar e colorretal. Há também perspectivas do uso de aspirina para prevenção e tratamento de doenças que atacam o cérebro como é o caso do mal de Alzheimer e de outras enfermidades degenerativas.
A FDA (Food and Drug Administration) dos EUA aprovou, em outubro de 1998, novas orientações para o uso da aspirina em pacientes com problemas reumáticos, cardiovasculares e cerebrovasculares. Ela é recomendada, em doses adequadas, para tratamento de homens e mulheres com isquemia cerebral, derrame cerebral, angina, infarto agudo de miocárdio e doenças reumáticas e vasculares em geral.
É importante observar, no entanto, que a aspirina pode gerar efeitos colaterais indesejáveis. Muitas pessoas não toleram a droga mesmo em baixas doses. A aspirina pode provocar dores estomacais, úlceras gástricas, diarréias, náuseas, sangramentos e hemorragias internas. Seu uso não é recomendado para quem possui problemas gástricos, renais ou biliares. Deve-se evitar também o uso indiscriminado, sem a devida prescrição médica.
Antonio Carlos Massabni
Instituto de Química – Araraquara – UNESP
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
A aspirina é uma substância sólida conhecida há mais de 100 anos. Seu nome químico é ácido acetilsalicílico (AAS) e, provavelmente, é o medicamento mais conhecido e mais vendido no mundo. Milhões de pessoas já se utilizaram da aspirina para diminuir dores e baixar a febre. Acontece que, nos últimos trinta anos, muitas pesquisas foram realizadas com a aspirina, tendo sido encontrados novos usos para esta droga centenária.
A história da aspirina começou há cerca de um século, quando o químico alemão Felix Hoffman pesquisava um medicamento para ser usado no tratamento da artrite, doença de seu pai. O objetivo dele era encontrar uma droga para substituir o salicilato de sódio, medicamento usado naquela época, mas que exigia grandes doses diárias e provocava irritação e fortes dores estomacais nos pacientes. Hoffman conseguiu preparar o ácido acetilsalicílico, que veio depois a ser chamado de aspirina. A nova droga tinha as mesmas propriedades do salicilato de sódio, conseguia melhorar a qualidade de vida dos portadores de artrite e gerava menos efeitos colaterais. Hoffman trabalhava na Bayer da Alemanha e seus superiores não aceitaram de imediato substituir o salicilato de sódio pela aspirina. Eles achavam inclusive que o novo medicamento não teria futuro.
Mas não foi o que aconteceu. No caso da artrite, a aspirina tornou-se rapidamente o medicamento mais usado no tratamento dessa doença, que ataca as juntas e o tecido conectivo do corpo humano, e se apresenta sob mais de 100 diferentes formas. A aspirina é o medicamento mais barato para combater este mal, inclusive em suas formas mais comuns: a osteoartrite e a artrite reumatóide.
Nos anos 1970, o cientista britânico John Vane observou que alguns tipos de ferimento eram acompanhados da liberação em nosso corpo de substâncias chamadas de prostaglandinas. Ele também percebeu que dois grupos delas provocavam febre e vermelhidão no local do ferimento (sinais de inflamação). Vane e colaboradores descobriram que a aspirina bloqueava a síntese de prostaglandinas, evitando a formação de plaquetas, que depois se transformavam em coágulos de sangue no corpo humano. Esses coágulos eram responsáveis pelo bloqueio do fluxo de sangue para o coração, resultando no ataque cardíaco. Assim, a aspirina evita a formação de coágulos e, portanto, pode impedir o infarto do miocárdio. A descoberta foi sensacional, uma vez que só nos EUA mais de um milhão de pessoas sofrem ataques cardíacos por ano e quase 50% delas acabam morrendo.
Antonio Carlos Massabni
Instituto de Química – Araraquara – UNESP
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
~ 26/10/09
Zinco, cádmio e mercúrio são metais que pertencem ao mesmo grupo da tabela periódica dos elementos químicos. Estes três metais e muitos de seus compostos são de grande importância industrial e para a saúde humana. Em relação à saúde, se o zinco se constitui num dos metais de maior relevância biológica, o cádmio e o mercúrio estão entre os elementos químicos mais tóxicos para os organismos vivos. O zinco é componente básico de pilhas e baterias. O mercúrio é parte fundamental de amálgamas dentários, e o cádmio, combinado com o níquel, é utilizado em baterias de telefones celulares. O níquel é extremamente tóxico e se acumula no corpo humano, principalmente nos rins e no fígado. Ele pode comprometer o funcionamento desses órgãos, se ingerido por longos períodos, mesmo em pequenas quantidades.
Os efeitos tóxicos do mercúrio são conhecidos há muito tempo. Seu vapor pode provocar dores de cabeça, tremores, inflamação da bexiga e da vesícula e perda da memória. Mais tóxicos do que o mercúrio metálico e seus sais inorgânicos são os compostos chamados de organo-mercúricos, que possuem o metal combinado com um radical orgânico, como é o caso do metil-mercúrio.
O zinco foi identificado há mais de 120 anos como elemento químico essencial para o crescimento de microorganismos, como os fungos e as bactérias. Já em 1935, percebeu-se que ele era necessário para o crescimento de ratos e, em 1955, demonstrou-se que a sua falta podia provocar graves doenças em porcos. Há um fato interessante, descrito na literatura, que ocorreu em 1958 no Irã. Um rapaz de 21 anos, que parecia ter 10, estava internado num hospital com sérios problemas de anemia, letargia mental e geofagia (hábito de comer terra). Ele se alimentava praticamente só de pão feito com farinha de trigo e “comia terra”.
Casos semelhantes a esse foram observados no mesmo local. A anemia se devia à falta de ferro, o que foi corrigido com o tratamento adequado, pois o ferro existente na terra não é aproveitado pelo corpo humano. Os outros problemas do rapaz foram atribuídos à insuficiência de zinco, principalmente. Mais casos como esse ocorreram nessa época no Egito e em outros países. Em todos eles, os pacientes apresentaram melhoras no estado físico, com alimentação adequada, enriquecida com suplementos de zinco. Eles cresceram em altura, tiveram aumento de peso, órgãos como fígado, baço e rins funcionaram melhor, e os órgãos genitais atingiram seu tamanho normal. Assim, foi possível concluir que a falta de zinco no sangue poderia retardar o crescimento, atrofiar os testículos, além de causar escamação e rugosidade da pele.
Estudos realizados em 1972 demonstraram também que suplementos de zinco incluídos na alimentação de indivíduos na faixa dos 20 anos de idade provocaram um melhor desempenho sexual em relação àqueles que se alimentavam só com uma dieta balanceada. Muito estudos vêm sendo realizados com o elemento nos últimos 30 anos e todos eles demonstraram a sua importância para a saúde humana. As principais conclusões desses trabalhos são:
- Zinco é um metal essencial para o funcionamento do corpo humano, estimulando a atividade de aproximadamente cem enzimas (substâncias que promovem reações bioquímicas do nosso corpo);
- É um metal importante para o funcionamento do sistema imune e para a cicatrização de cortes e feridas;
- O zinco estimula o paladar e o sabor;
- É fundamental para o crescimento e o desenvolvimento de crianças e adolescentes;
- As principais fontes de zinco são: carnes (vermelha e de frango), feijão, frutos do mar, nozes, grãos e cereais;
- A falta de zinco pode provocar retardamento mental, perda de cabelo, diarréia, retardamento da atividade sexual, impotência, lesões nos olhos e na pele e perda de apetite.
Antonio Carlos Massabni
Instituto de Química – UNESP – Araraquara
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
~ 23/10/09
Uma rota alternativa para obtenção do ácido adípico (esquema II) foi proposta pelo grupo de Ryoji Noyori, da Universidade de Nagoya (Japão), em 1998, visando atender a alguns princípios da Química Verde. A síntese alternativa, um método direto e “limpo”, apresenta vantagens tais como: (1) menor gasto de energia com o uso de temperatura moderada; (2) redução do tempo total de reação – uma só etapa; (3) economia de átomos e maior rendimento; (4) uso de pequena quantidade de catalisador e de um agente oxidante menos agressivo; (5) geração de água (subproduto atóxico). Apesar do peróxido de hidrogênio (um líquido viscoso com densidade maior que a da água) ser um oxidante adequado aos princípios da Química Verde, uma vez que seu produto de reação é a água, seu preço no mercado ainda é alto, o que inviabiliza, no momento, a implantação do processo em escala industrial.
Os estudos envolvendo a síntese do ácido adípico não cessam. Há relatos de trabalhos tentando utilizar, como oxidantes, o oxigênio molecular ou o ar (reagente de baixo custo), catalisadores heterogêneos e fontes renováveis de matéria-prima (como o açúcar).
Os princípios da Química Verde pautam-se no bom senso, de modo que vários governos, empresas, pesquisadores e professores já estão mudando o foco e usando lentes verdes em suas atividades e projetos. Mas para que os objetivos sejam atingidos não bastam o conhecimento químico básico e o trabalho de profissionais competentes e criativos. É preciso que haja recursos financeiros para atividades de pesquisa científica e inovação tecnológica, além de incentivos governamentais para empresas, legislação e fiscalização adequadas, educação ambiental e outros requisitos. É possível que, em um futuro próximo, se possa usar uma jaqueta de náilon tecida com fibras oriundas do processo verde.
Os textos e sites sugeridos a seguir tratam mais detalhadamente da Química Verde e abordam casos interessantes de mudanças que vêm ocorrendo em indústrias e universidades que se propuseram a “esverdear” suas atividades:
1. M. Lancaster, “Green Chemistry: an introductory text”, Royal Society of Chemistry, 2002.
2. K. Sato, M. Aoki, R. Noyori, A “Green” Route to Adipic Acid: Direct Oxidation of Cyclohexenes with 30 Percent Hydrogen Peroxide, Science, 281 (1998) 1646.
3. Y. Deng, Z. Ma, K. Wang, J. Chen, Clean synthesis of adipic acid by direct oxidation of cyclohexene with H2O2 over peroxytungstate–organic complex catalysts, Green Chemistry, (1999) 275.
4. http://www.ufpel.tche.br/iqg/wwverde
5. http//www.acs.org
Vera R. Leopoldo Constantino
Denise de Oliveira Silva
Instituto de Química – USP
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
Cada profissional tem uma maneira própria de olhar para um determinado tema. Ao “olharem” para a água, os químicos focalizam as suas propriedades como solvente e reagente; os biólogos, por sua vez, se interessam pela contaminação microbiológica, enquanto os geólogos estudam as bacias hidrográficas e os ambientalistas se preocupam com os níveis de poluentes nela presentes. Também os políticos têm sua forma de “olhar” para a água. Discute-se, atualmente, a viabilidade da transposição do Rio São Francisco, num projeto que exemplifica uma preocupação de todo governante, seja municipal ou estadual: garantir o abastecimento de água para toda a população.
Há aproximadamente dez anos, profissionais da Química que atuam na indústria, na pesquisa e também na área de ensino começaram a ter uma visão diferente sobre produtos e processos químicos, de modo a contemplar aspectos que levassem em conta a saúde humana e o meio ambiente. Na verdade, os profissionais da indústria química têm tido tal preocupação há muito mais tempo.
Essa nova maneira de olhar a Química foi denominada “Química Verde” e tem como base 12 princípios como, por exemplo, aqueles que propõem o emprego de processos químicos que requeiram condições brandas de operação (tais como temperaturas e pressões moderadas), com a finalidade de reduzir custos com energia e riscos de acidentes.
Tendo em vista o quadro de diminuição das reservas globais de petróleo, gás natural e carvão, bem como o efeito nocivo dos gases provenientes dessas fontes para o meio ambiente (efeito estufa e chuva ácida), a Química Verde propõe a busca por fontes renováveis, tanto para gerar energia quanto para servir de matéria-prima industrial. Neste último caso, basta lembrar que, hoje, a maioria de produtos, dos plásticos aos fármacos de uso comum, é obtida a partir de derivados do petróleo, uma fonte fóssil não renovável.
Outros aspectos importantes dessa nova visão para realizar processos químicos são: (1) a substituição de solventes tóxicos por outros, como o dióxido de carbono ou a água, em condições supercríticas; (2) o desenvolvimento de métodos analíticos sensíveis e seletivos para o monitoramento de substâncias nos processos de produção, nos organismos vivos e no meio ambiente; (3) os produtos oriundos dos processos devem ser projetados para apresentar alto desempenho e serem recicláveis ou de fácil degradação, a fim de minimizar problemas de descarte e acúmulo de lixo.
Um dos verbos mais usados atualmente, em qualquer atividade, é “economizar”. No caso de uma reação química, é possível introduzir modificações que visam a economizar energia e/ou átomos e aumentar o rendimento e a seletividade de um processo. Para ilustrar alguns desses aspectos no contexto da Química Verde, a síntese do ácido adípico é comentada a seguir. Mais de 2,2 milhões de toneladas dessa substância são produzidos anualmente no mundo devido à sua importância como reagente para a produção de poliuretanas (usadas na fabricação de adesivos, tintas e borrachas), lubrificantes, plastificantes e, principalmente, náilon-6, uma fibra sintética de grande importância no nosso dia-a-dia (usada em carpetes, automóveis, roupas e tapeçaria).
Analisando a síntese convencional do ácido adípico (esquema I), empregada atualmente em vários processos industriais, pode-se identificar os sérios problemas responsáveis pelo “impacto ambiental do náilon”: (1) o reagente ciclohexano é obtido através da hidrogenação (adição de hidrogênio) do benzeno, que é um derivado do petróleo altamente tóxico; (2) o agente oxidante, ácido nítrico concentrado, é corrosivo; (3) o processo envolve altas temperaturas, várias etapas de síntese, uso de diversos catalisadores (substâncias que aceleram uma reação química) e de substâncias tóxicas (como sais de crômio); (4) no final da reação, há emissão de gases poluentes, que causam destruição da camada de ozônio (N2O) e o efeito estufa (CO2 e N2O).
Vera R. Leopoldo Constantino
Denise de Oliveira Silva
Instituto de Química – USP
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
~ 22/10/09
Em 1998, pouco mais de cem anos após a morte do cientista, o prêmio Nobel foi dado a três pesquisadores que trabalharam nos mecanismos de ação de moléculas mensageiras como o NO. Eles explicaram como um produto químico explosivo pode também aliviar a dor causada por uma doença cardiovascular, como a angina. Os três pesquisadores dos EUA que receberam o prêmio Nobel foram: Robert Furchgott, Louis Ignarro e Ferid Murad. É importante registrar que um dos pioneiros da pesquisa com NO, Salvador Moncada, também foi indicado para receber o Nobel. Mas, como o prêmio só pode ser dado a três pesquisadores, no máximo, ele foi excluído. Conhecendo o mecanismo de atuação da nitroglicerina, os cientistas passaram a pensar em novas drogas menos perigosas para o tratamento da angina.
Uma outra surpresa relacionada ao NO foi a descoberta de John Craithwaite, de Liverpool (Inglaterra). Estudando o cérebro humano, ele observou que uma molécula-mensageira, um neurotransmissor, tinha exatamente as mesmas características do NO produzido pelas células epiteliais. Sob estímulo, as células nervosas do cérebro liberam, então, o NO, momentaneamente. Acredita-se que ele seja responsável pela memória e pelo conhecimento armazenado no cérebro humano. O esclarecimento do seu papel no cérebro foi considerado uma das mais sensacionais descobertas da Medicina. Não é sem razão que o NO foi considerado a “molécula do ano”, em 1992.
O acontecimento mais instigante mesmo, relativo ao NO, foi a descoberta do Viagra, que é o nome comercial do sildenafil citrato. A droga, que vem sendo usada no tratamento da impotência sexual masculina, consegue dilatar os vasos sanguíneos, o que provoca a ereção.
Em março de 1998, a FDA (Food and Drug Administration) aprovou o uso do Viagra para tratamento da impotência nos EUA, onde existem mais de 30 milhões de homens com algum tipo de disfunção erétil. Após a descoberta das excitantes funções do óxido nítrico, inúmeros artigos surgiram na literatura científica internacional. São muitos os sites que tratam dessa fantástica molécula.
Antonio Carlos Massabni
Instituto de Química – Araraquara – UNESP
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
Em 1980, os cientistas ingleses Salvador Moncada e Richard Palmer estavam estudando o relaxamento muscular. Havia interesse específico nos músculos das paredes das artérias, que são parcialmente responsáveis pelo controle da pressão sangüínea. Quando o corpo humano sente necessidade, ele produz substâncias como a acetilcolina, que entra na corrente sangüínea e sinaliza para os músculos do corpo relaxarem. Até recentemente, considerava-se que ela agia diretamente nos músculos, mas verificou-se, posteriormente, que não era bem isso o que ocorria.
A acetilcolina atua dentro das células da parte interna das artérias (células endoteliais), que produzem uma outra substância que dá o sinal para o relaxamento muscular. Foi uma surpresa para os dois cientistas descobrirem que a substância produzida pelas células endoteliais era um gás muito simples, o óxido nítrico, de fórmula NO (um átomo de nitrogênio ligado a um átomo de oxigênio). Ele é considerado um poluidor da atmosfera junto com outros gases de nitrogênio como o N2O e o NO2.
O óxido nítrico pode ser obtido facilmente em laboratório pela reação de ácido nítrico com raspas de cobre metálico. É um gás incolor que reage instantaneamente com o oxigênio do ar para dar o NO2, que é um dos responsáveis pela “chuva ácida”. No nosso corpo, contudo, o óxido nítrico é usado como molécula-mensageira, o que é muito engenhoso: por ser pequena, ela consegue se disseminar rapidamente do endotélio até as células dos músculos. Essa molécula é estável no corpo humano e só reage em certas circunstâncias.
A ação mais importante do óxido nítrico em nosso corpo é ligar-se facilmente aos átomos de ferro da enzima sintase, formando o complexo NO-Fe- sintase. Esse complexo consegue liberar o NO, que produz o relaxamento muscular e permite a entrada do sangue nos corpos cavernosos (tecidos que se assemelham a espumas, presentes em orgãos como o pênis). Mas a História do óxido nítrico não termina aí.
Após a descoberta da função do NO no corpo humano, surgiram inúmeros trabalhos de pesquisa relacionados a este gás. Um deles trata dos mecanismos de defesa do nosso organismo para eliminar bactérias invasoras que causam doenças. As células que produzem o NO, os macrófagos, têm a capacidade de injetá-lo dentro desses microorganismos para matá-los. Após a eliminação das bactérias, o óxido nítrico é oxidado a nitrito (NO2-) e nitrato (NO3-). Assim, o NO tem dois papéis fundamentais em nosso corpo: como molécula-mensageira, é o responsável pelo relaxamento da musculatura vascular; como agente antimicrobiano, defende-nos contra as bactérias que causam doenças.
A descoberta do papel essencial desempenhado pelo NO no controle da pressão sangüínea explica porque um medicamento como a nitroglicerina tem sido indicado pelos médicos, há muito tempo, para o tratamento de angina – um estreitamento das artérias do coração. Quando a nitroglicerina se transforma em NO, provoca um relaxamento muscular e, conseqüentemente, alarga as artérias. Acontece que aquela substância é um poderoso explosivo (já viram no cinema a explosão provocada por uma gota que cai no chão?).Portanto, não é um medicamento conveniente para as pessoas carregarem.
Um fato digno de ser lembrado é a descoberta, por Alfred Nobel, da dinamite, cujo principal componente é a nitroglicerina.Nobel ficou tão rico com a descoberta da dinamite, patenteada em 1867, que instituiu o famoso prêmio que leva seu nome. Em 1896, alguns meses antes de sua morte, Nobel, que tinha angina, não aceitou tomar a nitroglicerina, recomendada pelos médicos.
Antonio Carlos Massabni
Instituto de Química – Araraquara – UNESP
QuímicaViva – CRQ IV (Conselho Regional de Química – SP)
Autor: Alessandra Franchi
~ 21/10/09
O site “Bentham OPEN” publica jornais de acesso livre com temas da maioria das disciplinas de ciências incluindo Engenharia, Matemática, Química, Medicina, Ciências Farmacêuticas, da Terra, Sociais e do Meio Ambiente. Publicados exclusivamente online, os jornais estão disponíveis gratuitamente no site da Bentham OPEN: www.bentham.org/open
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